A carregar...

Pesquisar

Newsletter

OMOCHA 

OMOCHA

OMOCHA: BRINQUEDOS TRADICIONAIS DO JAPÃO

Nenhum país do Mundo iguala o Japão na produção de brinquedos, seja em quantidade, diversidade ou riqueza. Não existe, nas línguas ocidentais, tradução exacta da palavra omocha, que quase sempre traduzimos por brinquedo. A tradução é, contudo, enganadora já que estes objectos destinam-se não só às crianças mas, muitas vezes, também aos adultos. Omocha significa, mais particularmente, objectos tradicionais, muitas vezes com uma função lúdica, mas que vão buscar os seus simbolismos às crenças religiosas. Monstros, divindades, homens ou animais, estes objectos saídos da arte popular estão sobretudo ligados a crenças religiosas, são de uso ou origem religiosa a que se juntam elementos xintoístas mas também budistas. Igualmente objectos de divertimento, amuletos da sorte, recordação de peregrinações, eles acompanham também eventos anuais, como as festas locais. Daí que muitos destes objectos sejam vendidos nos mercados dos templos. Associados aos festivais, encontram-se nestes mercados quer produções regionais quer objectos genéricos, cujo simbolismo todos conhecem. Concebidos a partir de materiais tão diversos como a madeira, argila, pedra, papel, palha ou tecido, congregam as tradições estéticas, técnicas, sociais e religiosas dos Japoneses.

 

Não se sabe ao certo quando começaram a produzir-se estes brinquedos tradicionais. Estabelecer uma data torna-se impossível mas é evidente que os brinquedos existem desde tempos muito remotos havendo mesmo documentos que comprovam que, no período Heian (794-1185), o jogo de sugoroku (uma espécie de Jogo da Glória), por exemplo, era já muito popular. Todavia, a maioria dos brinquedos que hoje encontramos são um vestígio do período Edo (1603-1867). A sua produção é gigantesca e representa um recurso económico que não pode ser menosprezado. Se alguns deles podem ser fabricados indiferentemente na totalidade do território japonês, outros são-no apenas em locais precisos. O princípio do ano é a época em que se compra o maior número de brinquedos, talismãs e amuletos da sorte.

 

A raridade dos objectos antigos não se explica unicamente pela fragilidade dos materiais em que são fabricados. Muitos deles são destruídos todos os anos, queimados ou lançados aos rios, levando com eles todos os malefícios que, supostamente, deviam contrariar, atingindo assim plenamente a sua função protectora.

 

É difícil estabelecer uma classificação destes objectos de tal forma ténue é o estabelecimento das suas fronteiras. Por exemplo, um simples sininho pode trazer boa sorte, divertir uma criança, representar um herói e atrair o interesse de um coleccionador. Sem deixar de ser um brinquedo, pode, contudo, ser interpretado e representado de diferentes maneiras. A classificação que propomos tem em conta as diferentes funções do brinquedo:

 

  1. Brinquedos que representam crenças populares (com a ideia de protecção) e que constituem a grande maioria dos brinquedos populares japoneses. Encontramo-los em quase todos os mercados dos templos
  2. Brinquedos que evocam feitos históricos, heróis, mitos e lendas que todos conhecem
  3. Brinquedos enquanto tal, meros objectos de divertimento
  4. Brinquedos que se tornaram objectos de colecção ou obras de arte.


Lounge, 23 Abril a 11 Julho