A TERRA DO PADRE
19 Fevereiro
17.00
Auditório
A
TERRA DO PADRE
DOCUMENTÁRIO
Realização:
JAMES JACINTO
Pesquisa
e guião: SILVIE LAI
Produção:
EFFICIENT PRODUCTIONS
A presença portuguesa
em Malaca foi relativamente curta (1611-1641). Subsequentemente tomada pelos
holandeses e, em 1824, pelos britânicos, só em 1957 a Malásia se tornou um país
autónomo que, actualmente, integra o estado de Malaca.
Em Malaca não sobreviveu
quase nenhuma construção ou vestígio arquitectónico do período colonial português.
Todavia, persistem sinais inconfundíveis desse período, profundamente
enraizados numa pequena comunidade que se auto-denomina “portugueses de
Malaca”, “kristang” ou “euroasiáticos
portugueses”. Essa influência sedimentou-se nas próprias gentes, passou de
geração em geração e foi também assimilada à distância, já que a maioria dos kristang nunca esteve em Portugal. A
contínua presença de padres portugueses até à década de 90 do século XX -
Malaca esteve até então sob a alçada da diocese de Macau - e o contacto regular
com visitantes portugueses contribuíram para esse processo de sedimentação e
assimilação cultural. Aspectos dessa influência encontram-se na sua língua, o kristang, crioulo de base portuguesa,
nos apelidos portugueses e nos nomes das ruas do Bairro Português onde se
concentra hoje a comunidade, nas tradições cristãs e ainda nas festas
populares.
Embora, ao longo destes
últimos séculos, a comunidade tenha conseguido preservar a sua identidade
cultural de modo relativamente consistente, pareceu oportuno aos autores documentá-la
audiovisualmente. A nível da língua, por exemplo, regista-se um decréscimo
preocupante do número de falantes fluentes do crioulo kristang em favor de outras línguas como o inglês e o bahasa malaio. O crescente número de
famílias e jovens que saem do bairro em busca de melhores condições de vida, ou
simplesmente porque as casas do bairro já não são suficientes, bem como outras
pressões que derivam do facto de a comunidade ser numericamente pouco expressiva
(serão perto de 2000 os habitantes do bairro), indiciam uma crescente dispersão
sociocultural.
Quais as possibilidades
e condições de manutenção e transformação de uma cultura minoritária? E quais
os limites do que se pode entender por identidade cultural? Estas são algumas
das questões sobre as quais se pode reflectir a partir deste filme.
Entrada livre
Duração: 50', sem intervalo
M/6

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