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NEUROPOTENCIAÇÃO 

NEUROPOTENCIAÇÃO

8 Maio

Neuropotenciação

Ciclo Diálogos e Expectativas

 

Conferencistas: Alexandre Castro Caldas e Alexandre Quintanilha

Horário: 18.00 às 20.00

Entrada livre, sujeita a inscrição

Piso 4

Atribuição de dois ECTS (European Credit Transfer System) aos estudantes que frequentarem pelo menos quatro sessões

Organização: Fundação Oriente e Universidade Autónoma de Lisboa

 

No contexto da discussão da complexa relação entre a biologia própria do corpo humano e a actividade mental, que importa revisitar, parece oportuno discutir o tema cada vez mais actual e plausível que é a neuropotenciação. Não podemos deixar de ter, como pano de fundo, as asas de Ícaro no nosso sonho de voar mais alto motivado primeiro pela necessidade e depois pela ganância, mas a verdade é que a cera que suportava é o sonho hoje bem mais sólida sendo embora mais terríveis outros calores e outros sóis que se opõem à nossa temeridade. Discutir hoje neuropotenciação é discutir educação das crianças e desenvolvimento do cérebro mas é também discutir a influência de factores externos como os fármacos, não esquecendo aqui a delimitação da fronteira entre o que é doença – e por isso redução patológica dos desempenhos – e o que é simples desejo de melhorar os desempenhos.

Neuropotenciação é ainda a utilização de interfaces máquina/humano tendo em conta a evolução desde que pela primeira vez os primatas pegaram num instrumento para atingir um objectivo aumentando, assim, as competências humanas. Hoje propõe-se a integração do instrumento no mecanismo básico que suporta a função, numa simbiose mais permanente. Neuropotenciação é além disto, a manipulação genética que vai crescendo nos laboratórios, um pouco por todo o mundo, fazendo com que, por exemplo, os ratinhos modifiquem a sua produção ultrasónica pela introdução do gene FOXP2 humanizado, gene este que nos humanos parece ser responsável por mecanismos de produção da fala. Finalmente, neuropotenciação é um problema bioético que justifica ampla reflexão.

Palavras-chave: Biologia, neuropotenciação, manipulação, Bioética

 


Alexandre Castro Caldas é licenciado, doutorado e agregado pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Foi assistente de Neurologia, professor auxiliar, associado e catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa, sendo responsável pela orientação de várias teses de doutoramento e projectos de investigação. Colaborou com a Universidade Lusófona, ISCTE, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UL, Universidade de Évora, Porto e Évora, Instituto Superior de Psicologia Aplicada e Universidade Sarah (Brasil). Foi director do Laboratório de Estudos de Linguagem (Centro de Estudos Egas Moniz), membro do Advisory Board The European Graduate School of Child Neuropsychology, director da Fundação Merck Sharp & Dohme, director do Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria, director do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, consultor do Programa Gulbenkian de Desenvolvimento Humano. Tem, como autor individual e em parceria, cerca de centena e meia de artigos, sete livros publicados e perto de uma centena de capítulos em livros, nacionais e internacionais. Colabora nos conselhos editoriais e como revisor em diversas revistas científicas, no país e no estrangeiro. Recebeu três vezes o Prémio Sandoz da Sociedade Portuguesa de Neurologia, Prémio Pfizer da Sociedade de Ciências Médicas, também por três vezes, o Nelson Butters Award of the International Neuropsychological Society, o Grande Prémio de Medicina da Fundação Bial e o Distinguished Career Award da International Neuropsychological Society.

 


Alexandre Quintanilha  licenciou-se em Física Teórica pela Universidade de Witwatersrand (África do Sul) onde obteve o grau de doutor em Física do Estado Sólido (1972). Dedicou-se à Biologia, na Universidade da Califórnia durante cerca de 20 anos. Em Berkeley, criou o Centro de Estudos Ambientais e desenvolveu investigação na área do stress. Participou na criação do novo acelerador de investigação (Advanced Light Source), no lançamento do Human Genome Center at Berkeley e de vários programas doutorais inter-disciplinares. Como director assistente no Lawrence Berkeley National Laboratory, secção de Energia e Ambiente, e como professor de fisiologia celular orientou várias investigações. Regressa a Portugal (1991) como director do Centro de Citologia Experimental da Universidade do Porto e professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). Criou o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), presidiu durante vários anos ao Instituto de Engenharia Biomédica (INEB) e dirigiu, durante dez anos, o Laboratório Associado. Actualmente preside ao Conselho de Gestão e Orientação do consórcio I3S (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde), que inclui, para além do IBMC e do INEB, também o IPATIMUP. Publicou dezenas de artigos em revistas científicas internacionais, foi editor/autor de seis volumes em áreas da Biologia e Ambiente, consultor redactorial da Enciclopédia de Física Aplicada e coordenador e autor de vários trabalhos nas áreas da Biologia, Ambiente e Física Aplicada. Presidiu a inúmeros grupos de trabalho na European Science Foundation (ESF), na Comissão Europeia, na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e é membro de várias sociedades científicas e também do Conselho para Investigação e Exploração da National Geografic Society. Presentemente, os seus interesses científicos são o stress biológico, o risco e a divulgação da ciência. É secretário do Conselho dos Laboratórios Associados e presidente do Conselho de Ética para a Investigação Clínica.

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