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Presença portuguesa na Ásia

CIRCUITO EXPOSITIVO DO PISO 1

Subindo ao piso 1, com uma área de cerca de 1500m², o visitante encontra a colecção dominantemente artística dedicada à presença portuguesa na Ásia e ao coleccionismo de arte do Extremo Oriente.
O conceito gerador deste grande módulo expositivo foi a construção de uma utopia oriental pelos Portugueses, desde o século XV até aos nossos dias, baseada no comércio, na missionação e no encontro de culturas.

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O visitante é acolhido no espaço central do piso 1, que é dedicado a Macau, território outrora sob administração portuguesa. Este amplo espaço é dominado pela exposição de três magníficos biombos chineses da colecção: o mais antigo representa uma nau portuguesa nos mares da China e encontra-se ladeado por um outro, de carácter essencialmente decorativo, decorado com as armas da família Gonçalves Zarco. O terceiro biombo, raríssimo exemplar decorado com as representações das cidades de Cantão e de Macau, encontra-se junto à secção dedicada à iconografia da Cidade do Nome de Deus de Macau, com exemplares que remontam aos séculos XVII e XVIII e se estendem pelo século XIX. De destacar ainda uma cómoda papeleira da segunda metade do século XIX, com a representação da Baía da Praia Grande em Macau.
Uma estátua em granito, representando toscamente um holandês, evoca a tentativa frustrada de conquista de Macau pelos Holandeses, em 1622. Neste módulo expositivo destacam-se ainda várias pinturas e gravuras do chamado período “China Trade” (séculos XVIII-XIX), tanto de autores ocidentais como de autores chineses.
Um pequeno conjunto de desenhos e uma encantadora pinturinha lembram a prolongada presença de vinte e sete anos em Macau do famoso pintor britânico Georges Chinnery (1774-1852), expoente do paisagismo romântico no Oriente, que deixou um notável registo das paisagens urbana, natural e humana do território no derradeiro período do seu esplendor como entreposto entre a China e o Ocidente. Nas vistas da Praia Grande ou das sampanas junto ao Templo de A-Má surpreendem-se instantâneos do quotidiano que envolvem dominantemente a presença da população chinesa nas suas tarefas, em cenários marcados por uma nostálgica presença europeia.


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O papel de Macau no comércio internacional está extensivamente documentado na secção oposta, salientando-se a colecção de porcelana brasonada, formando, na disposição de pratos, travessas, terrinas ou jarras, um dragão. Contudo, não deixam de ser significativas as séries de gouaches “China Trade” que representam o fabrico e o comércio do chá e da seda, assim como os leques chineses, muito apreciados no Ocidente.

Passando ao sector nascente do piso 1, fronteiro ao acesso por escada, sucedem-se os restantes núcleos:

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E entre gente remota edificaram/Novo reino que tanto sublimaram onde, “guiados” pelas palavras de Camões n’ Os Lusíadas (1,3), mas também pelas de Fernão Mendes Pinto na Peregrinação, se procura documentar, a partir de uma criteriosa selecção de objectos (mobiliário, têxteis, ourivesaria, prataria, pintura e marfins), complementada por mapas e maquetas, o estabelecimento e a construção do Império Português do Oriente, centrado em Goa, com as suas cidades e praças-fortes, as suas sociedade e cultura miscigenadas, em que se deu o diálogo e o confronto entre culturas e religiões. Neste particular destacam-se um exemplar setecentista de um tratado escrito por um goês sobre o gentilismo hindu, assim como as aguarelas de um álbum que representa tipos populares, profissões e autoridades militares da Índia.

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Ásia Oriental em que se evidencia a descoberta, pelos Portugueses, da cultura do Império do Meio e do lucrativo comércio de produtos de luxo que com ele podiam realizar, não esquecendo o papel dos missionários que acompanhavam os comerciantes e os soldados e deram início à Igreja Cristã na China, inclusive os que sofreram o martírio pela Fé. Neste núcleo é de destacar um biombo dito “do Coromandel”, com interessante iconografia cristã, eco da escola de pintura criada no Japão pelos Jesuítas, que mais tarde se estenderia a Macau.
O frutuoso encontro com o Japão nos séculos XVI e XVII é brilhantemente ilustrado por dois biombos e por lacas namban (um capacete, dois contadores e dois oratórios), que estão entre as mais relevantes peças de toda a colecção.

No sector nascente está também exposto um conjunto de peças de porcelana branca decorada a azul sob o vidrado, exemplo das primeiras importações de peças de encomenda para o mercado nacional, bem como objectos devocionais e de “lembrança”, em madrepérola, de pequena e média dimensão, destinados à exportação ou a um público local de cristãos, em que avultam os crucifixos e as cruzes de pousar. De destacar ainda um conjunto de lacas vermelhas e negras, datáveis do século XIX, provenientes da Birmânia.

Findo este sector, o visitante atravessa, de novo, o espaço central dedicado a Macau e entra no sector poente, em que se desenvolvem outros dois módulos:

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Timor-Leste, povos e culturas, colecção muito rica que documenta, através de peças relacionadas quer com as vivências quotidianas e as tradições linhagísticas quer com o sagrado, a unidade e a diversidade das culturas em presença, assim como os estreitos laços que esses povos souberam manter com Portugal. Os potes, colheres, o descaroçador ou o banco situam-nos no mundo quotidiano dos instrumentos de trabalho, enquanto as pulseiras, os colares, as insígnias de poder ou as facas de circuncisão nos projectam no universo cerimonial e ritual, tal como acontece com as diversas máscaras presentes. Os vários tipos de panos tecidos pelas mulheres timorenses ilustram os patrimónios linhagísticos das comunidades, enquanto as portas e os painéis decorativos das casas ou a estatuária votiva nos projectam no microcosmo da casa timorense com a sua sucessão de andares — do nível térreo, morada dos animais e dos espíritos inferiores, passando pela residência dos vivos, até ao lugar de culto dos antepassados.

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O coleccionismo de arte do Extremo Oriente, constituído pela colecção de terracotas e de outras antiguidades chinesas, japonesas e coreanas que foi adquirida pela Fundação Oriente, a que se acrescentaram os acervos em depósito provenientes do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra, em que se destacam os legados do poeta Camilo Pessanha e do político e escritor Manuel Teixeira Gomes.
Atendendo ao elevado número de exemplares de cerâmica chinesa dos mais diversos períodos e técnicas, é possível documentar a evolução tipológica das terracotas funerárias, com exemplares que remontam ao Neolítico e se estendem até à dinastia Ming, assim como da cerâmica e da porcelana de uso quotidiano, nela incluindo alguma de exportação. Um grupo de imagens de vária proveniência e algumas pinturas da Colecção Pessanha permitem referenciar a expressão artística mais erudita do budismo e do taoísmo.
Graças à pintura e ao traje da Colecção Pessanha, evoca-se o ambiente do gabinete e o gosto artístico de um letrado chinês de oitocentos, com as “preciosidades”, as taças de libação, os ecrãs e os biombos, os objectos devocionais ou os rolos e álbuns de pintura tradicional chinesa e de caligrafia, bem como os respectivos apetrechos de execução.

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Da notável colecção de frascos de rapé de fabrico chinês de Manuel Teixeira Gomes, a segunda da Europa, apresenta-se uma significativa selecção das diferentes tipologias que a constituem. O mesmo se passa com as peças japonesas da mesma proveniência: os inrô (pequenos contentores portáteis pessoais), as netzuke (fechos dos inrô em forma de máscara, com personagens, na sua maioria, do Teatro Nô) e as tsuba (guarda-mãos de espada), peças de cronologia alargada, a que se acrescentam, ainda no âmbito do Japão, as três monumentais armaduras e outros objectos de cerâmica, bronze, pintura e mobiliário.

Concluindo este módulo, expõem-se também peças coreanas: uma caixa em madeira lacada com incrustações de madrepérola e uma curiosa série de aguarelas de finais de oitocentos da autoria do pintor coreano Kim Jun-geun, conhecido pelo nome artístico de Kisan, sobre trajos, costumes e festas da Coreia, realizadas para o mercado europeu e americano.