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Colecção Kwok On 

A COLECÇÃO KWOK ON



A Colecção Kwok On tem origem numa doação feita, em 1971, a Jacques Pimpaneau pelo Sr. Kwok On, de um conjunto de marionetas cantonenses, instrumentos musicais, livros e objectos diversos. Esta doação viria a servir de ponto de partida para uma associação/museu fundada em Paris, o Museu Kwok On, criado por Jacques Pimpaneau que, desde logo, se propôs aumentar a colecção. Os objectos que reuniu são originários de um espaço geográfico que se estende da Turquia ao Japão e incluía, em 1999, ano em que a colecção foi doada à Fundação Oriente, mais de 10 000 peças.


Trata-se de uma colecção que, respeitando apenas à etnologia cultural, foi, em princípio, orientada para todas as formas de teatro na Ásia. Posteriormente, o âmbito foi alargado a todos os géneros que transmitem os mitos e os relatos da cultura comuns às grandes civilizações asiáticas. Reúne também o que diz respeito aos espectáculos: trajes, máscaras, instrumentos musicais, acessórios, teatros de sombras e de marionetas, uma vez que estes, na Ásia, representam as mesmas peças que o teatro de actores, tendo, por vezes, um carácter mais sagrado. A colecção engloba ainda pinturas e gravuras que ilustram mitos e histórias, bem como os rituais de encenação: representações antropomórficas ou simbólicas de divindades, estátuas, imagens, altares e acessórios de celebrantes. A colecção não se limita, contudo, àquilo a que vulgarmente se designa por arte popular, sobretudo porque o contraste entre arte nobre ou letrada e arte popular está longe de ser tão definido como muitas vezes se julga. Ela pretende apresentar a cultura partilhada por todos os membros de uma sociedade, já que uma determinada cultura se define, também, pelas histórias que ela própria conta. Daí que a pintura de um artista moderno possa figurar lado a lado com imagens populares desde que representem a mesma divindade.


Esta colecção, que não inclui nem as Belas-Artes nem a arqueologia, nem mesmo certos artefactos (cestaria ou outros objectos da vida quotidiana) poderia definir-se também como uma colecção dos aspectos visuais das literaturas asiáticas tradicionais, orais e escritas.
Hoje, a colecção compreende mais de 13 000 objectos. Entre os mais interessantes, poder-se-ão destacar todos os estilos de teatros de sombras e de marionetas asiáticas, com particular realce para uma colecção de cabeças de Bunraku e de sombras indianas, únicas no Ocidente, vários altares da religião popular chinesa e um conjunto de máscaras que permitiu, em 2006, apresentar pela primeira vez na Europa, na Abadia de Daoulas (França) uma exposição que pretendia mostrar que as máscaras da Ásia merecem a mesma atenção que as de África e as da Oceania.


O espírito desta colecção é, antes de tudo, eminentemente educativo. Ela é complementada por uma mediateca que inclui livros, revistas, registos sonoros e visuais. Jamais um objecto foi adquirido por ser velho ou raro mas por se enquadrar num conjunto que representa uma história. O objectivo foi, pois, diferente do dos museus habituais. Foi, sobretudo, o de contribuir para o que se designa de educação permanente, com vista a preencher o fosso que existe entre o saber dos especialistas e o saber do grande público. Visou, enfim, fornecer aos estudantes e investigadores, bem como aos meros curiosos, uma perspectiva da Ásia simultaneamente atraente e pedagógica.