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O IMPÉRIO INVISÍVEL E A FOTOGRAFIA NO SIÃO


O IMPÉRIO INVISÍVEL E A FOTOGRAFIA NO SIÃO

12 Setembro | 18.30 | Inauguração
Até 27 Outubro
O Sião desenhado por Francis Chit e Joaquim António na colecção fotográfica de Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria.

No Sião da segunda metade do século XIX e início do século XX, durante os reinados de Rama IV (Mongkut, 1851-1868) e Rama V (Chulalongkorn, 1868-1910) da dinastia Chakri, destacaram-se dois nomes que captaram com luz a família real, a vida do palácio, os tipos sociais, a paisagem urbana e o mundo rural do único reino asiático que se furtou à colonização ocidental: o Protukét luso-siamês Francis Chit (1830-1891) e o macaense Joaquim António (1862-1912). A ainda pouco estudada presença de portugueses no Sudeste-Asiático em finais do século XIX manifestou-se também no ofício de fotógrafos, pelo que as peças presentes nesta exposição, resultantes de aquisição feita a um livreiro de Lisboa, pretendem pôr de relevo o pioneirismo, a competência técnica e a qualidade artística de dois profissionais cuja obra requer estudo e divulgação. Entre as fotografias apresentadas nesta exposição, destacamos a albumina com a segunda coroação do Rei Chulalongkorn, em 1873, da autoria de Francisco Chit. No mesmo acervo, constam fotografias da parentela real e outras figuras da corte siamesa, executadas pelo mesmo fotógrafo. De Joaquim António, destaque para albuminas feitas em Macau e as suas primeiras imagens no Sião: os “protegidos chineses” fotografados frente ao consulado português em Bangkok por ocasião do aniversário do Rei D. Carlos, em 1899; a Exposição Universal de Hanói, em 1902, onde Joaquim António esteve representado com alguns dos seus trabalhos. Na fotografia que retrata um grupo de músicos da Sociedade Philarmonica de Bangkok, em 1900, identificámos o fotógrafo português.
 
O Sião é um caso único da fotografia no Sudeste-Asiático, pois que a paixão pela fotografia por parte da família real, aliada a forte resistência à intrusão de fotógrafos estrangeiros no território, terá favorecido as carreiras de Francis Chit e de Joaquim António, verdadeiros "cronistas de imagem" da família real durante os 60 anos em que exerceram atividade como fotógrafos oficiais da corte.
 
António Luís de Vasconcelos Cunha Faria