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Conferência com Peter ten Hoopen

Exposição “Timor: Totems e Traços”

Conferência com Peter ten Hoopen

Domingo | 15 Março | 15.30 | Entrada gratuita, limitada  à capacidade da sala

“Este trabalho é o fruto de uma paixão partilhada: um desejo ardente de mostrar ao mundo a beleza da cultura ikat timorense, em célere extinção.”
É com estas palavras que o colecionador e especialista holandês Peter ten Hoopen prefacia o catálogo da exposição Timor: Totems e Traços, referindo-se não apenas aos contributos de investigadores e autores reunidos nesta obra, como também ao trabalho destes no terreno e a sua dedicação à salvaguarda da arte têxtil do tais futus Timorense, que inspirou a exposição patente no Museu do Oriente até 15 Março 2020.

Peter ten Hoopen começou a interessar-se por esta arte timorense no final dos anos 70, mas só a partir de 2010 é que decidiu coleccioná-la e estudá-la activamente. “Quando lidamos com uma cultura que está a desaparecer rapidamente, mais do que coleccionar peças emblemáticas, importa preservar o conhecimento nelas contido. Se a transferência tradicional de conhecimentos saltar uma geração, esse conhecimento perde-se para sempre. É por isso que vejo esta colecção como um  projecto de património cultural, e não apenas um somatório de objectos”, explica.

Durante milhares de anos, o ikat, uma das técnicas decorativas mais comuns existente também nos tais futus timorenses, foi um elemento central da cultura austronésia, funcionando como um meio de comunicação e linguagem, transmitindo valores e normas, sentido de pertença, diferenciando classes sociais, testemunhando fenómenos de interculturalidade, de significados, associações, carga simbólica e mitos de origem, materializados nos padrões decorativos, nas cores usadas e na ordem da sua aplicação. Grande parte destes panos, tecidos pelas mulheres de uma linhagem, era guardado, sendo considerado património dessa linhagem e necessário para as trocas rituais em cerimónias de aliança, casamento, nascimento e morte.

O longo período de agitação política vivido por toda a ilha, a partir da década de 70 do século XX, as alterações do estilo de vida das populações e o desinteresse a que este artigo de vestuário foi entretanto votado, por se considerar já não estar ‘na moda’, fez com que grande parte do seu património têxtil fosse destruído.

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